12-11-14

Amor?? Nem Amizade!! Desabafo de um Pai que não foi Adotado.

No final deste ano de 2014 vamos saber se a Gleicy passou, ou não, no ULTIMO ANO do segundo grau (ensino médio). Existe uma possibilidade sim, um espécie de milagre, para quem só está obtendo notas dificilmente maiores do que dois ou três, porque nos três anos escolares anteriores, ela igualmente não passou em praticamente NENHUMA matéria nas provas do final de cada ano e sempre foi salva contando com a benevolência e a compreensão tanto dos professores como da Direção dos dois colégios, Colégio Anchieta, onde ela terminou o oitavo ano da primeira serie, como depois, no colégio Boa Viagem, um dos melhores de Recife, onde ele ganhou uma Bolsa de Estudo, devido a ela ser Atleta e ter obtido a medalha de bronze, em nível nacional, nos Jogos Escolares, na modalidade Judô. No Colégio Boa Viagem, ela terminou o ultimo (nono) ano da primeira serie e os dois primeiros anos do segundo grau. Os meus apelos, tanto por escrito como verbalmente, para a direção do colégio, a cada ano, provavelmente ajudarem a conseguir a sua passagem para os anos seguintes.
 
Por outro lado, se ela não passar neste corrente ano, ela perderá o direito à Bolsa, sendo obrigada a repetir este terceiro e ultimo ano.
 
Tentei por diversas vezes convence-la a estudar durante o ano, mas apesar de lhe ter oferecido dinheiro, como estimulo adicional, para estudar duas horas por dia pelo menos, além de pedir para que ela voltasse a sorrir dentro de caso, não adiantarem de nada, com o argumento que ela já estava "bem grandinha" para ser comprada assim. Então ela não estudou nem uma hora, nem um minuto sequer, que eu tenha visto.
 
As mudanças no seu comportamento, radicais alias, começarem, acho eu, depois de duas broncas minhas, as quais foram:
 
1. numa competição local de judô, a minha mulher chamou a minha atenção pelo modo estranha com a qual ele ficava se agarrando a uma outra judoca, mais velha, dentro do estádio, sem se largarem por nenhum instante. Chegando em casa, passei o pito, mas ela não gostou. Aqui é preciso mencionar que nunca, até hoje, bati nela, proibi alguma coisa, ou obriguei-a a fazer qualquer coisa. Alguns dias depois, preocupado que a bronca talvez tivesse sido desproporcional, chamei ela, junto com minha mulher e disse lhe que se ela sentisse amor por aquela moça (a moça já tinha 17 enquanto que a Gleicy estava com 13 para 14 anos), que era melhor esperar mais alguns anos até ela poder definir, com certeza, sua preferência sexual e então resolver esta questão de vez. Aqui novamente é necessário abrir um parêntese para esclarecer que eu tinha resolvido adotar uma criança com o principal objetivo de existir alguém para quem eu pudesse deixar o meu patrimônio, mas que fosse educado por mim (depois que o meu filho único morreu) e que pudesse me dar netos, ainda em vida. O assunto se encerrou ali mesmo, não tendo proibido ela de se comunicar com a moça e ciente que as duas moças ficariam ainda por muito tempo em contato, uma com a outra.
 
Mas, que eu ficava preocupado com ela, ficava.
 
2. a segunda bronca aconteceu quando ela passou a insistir muito na compra de um I-Pod, só porque era moda na classe dela. Eu já tinha comprado alguns celulares novos para ela, todas na faixa de 300/400 reais, tendo sido repassados, alguns deles, para suas irmãs depois. De repente ela apareceu com um I-Pod na mão que a minha mulher tinha comprado no cartão, valendo cerca de 1.500,00 reais. A minha raiva só aumentou quando descobri que o tal aparelho nem celular era. Tudo só para ficar igual aos demais patricinhas da classe dela. Dei uma bronca nela, sem tocar nela, mas mostrei que não estava nadando no dinheiro assim não, para poder ficar jogando dinheiro fora (sou aposentado). De noite ela passou por uma crise nervosa e a levei para a emergência. O medico desconfiou de mim e chamou-a num canto separado, para ver se eu não tinha abusado dela (??!!). Depois de explicado tudo, a crise passou.
 
De qualquer modo, a partir dai ela só passou a comprar roupas, sapatos, tênis e celulares (ela comprou mais uns cinco ou seis celulares em seguida, todas com valor acima de 500 reais, sendo o ultimo um I-Phone valendo mais de 1.500,00) de marcas famosas , tudo sem o meu conhecimento e usando o cartão da minha mulher para poder provar para suas colegas de classe, que ela também era uma patricinha, sim senhora, tendo inclusive pais ricos e tudo e etc e tal....
 
Ela então passou a se comportar como se EU fosse o seu maior INIMIGO na terra, deixando de rir em casa e a cada vez que me via, mudando a expressão no seu rosto. Tinha vez que ela se encontrava no meio de colegas, rindo a vontade, mas colocando de repente a sua mascara de inimiga quando me via aproximar. Ela passou a brigar com todo mundo também, colegas e amigos. Antes ela era amada por todos, mas a partir de um certo momento ela passou a ficar cada vez mais isolada e sozinha, inclusive na escola. Num dia a pedagoga do colégio me chamou para conversar sobre ela. Encaminhou-me para uma profissional, que além de pedagoga também era psicóloga. Ela passou por dez seções e no final, concluiu que o QI dele era um pouco baixo e que o melhor seria contratar um psiquiatra, recomendando que eu aproveitasse, para me tratar também. Durante um das seções, que era só comigo, não consegui segurar as lágrimas e chorei o tempo todo. Não me lembro ter chorado tanto antes, na minha vida inteira, nem mesmo quando meu filho único morreu. Mas não resolveu a minha tristeza. Acho que foi por isso que ela me recomendou a procurar um psiquiatra. Não o contratei nem para ela e muito menos para mim.
 
O fato é que tive que trabalhar muito para conseguir o que eu tenho. Cheguei no Brasil aos 24 anos, com uma mão na frente e outro atrás e sem falar a língua local, nem conhecer alguém. Ninguém nunca me deu alguma coisa e também nunca pedi. Pelo contrario, todos tentarem se aproveitar de mim. Não tenho conhecimento de meu QI ser maior do que o dela, mas passei a detestar profundamente as PATRICINHAS
 
Na qualidade então de patricinha nata e convencida, a Gleicy não lava suas próprias roupas, imagine as da sua irmã. Também não ajuda na cozinha, não põe a mesa, nem tira, nem lava louça, não arruma o seu quarto e muito menos a sua cama, parecendo um deposito de lixo, com montes de roupa suja e um montão de soutiens, shortinhos e o diaba quatro, tudo espalhado no chão. Faxina é uma palavra que ela desconhece profundamente. Como não temos empregada, tudo é da responsabilidade da sua mãe e do seu pai também, que ajuda sim nas tarefas caseiras, inclusive para fazer compras. Quando levo ela, ela enche o carrinho com montes de yogurtes, chocolates, biscoitos e tudo que é novo e que é lançamento. Por este motivo, desisti de levar ela.
 
Tenho certeza que não existe pai que não quer ser consultado, na parte financeira, na hora de comprar roupa para a filha. Eu só tomo conhecimento quando ela já se encontra dentro do shopping, comprando tudo o que ela bem entender, no cartão da mamãe, e depois nem se fala mais neste assunto, porque é lógico que ela tem toda a razão. Depois de muito tempo voltei a ser obrigado a engolir sapos de todos os tamanhos, quase todos os dias. É só ela que decide sozinha quando está na hora de comprar roupas e brinquedos para sua irmã. Comprar andador, bicicleta, carrinho de bebe, balancinho, cadeira para o carro, foi tudo ela que resolveu comprar e comprou. Só restou para mim pagar a conta.
 
Decisões que eu considero importantes, ela toma absolutamente sozinha ou então em conjunto com amigos da sua confiança e só me comunica, as vezes, o que ela resolveu, depois. Outro dia acordei cedo para leva-la para o colégio e ao chama-la, ela virou a cabeça dizendo que ia mais tarde. Confiei no que ela falou, mas no dia seguinte descobri que ela não foi no horário normal para não ter que fazer a prova para a qual ela não tinha estudado. E porque não estudou? É comum também ela resolver se vai ou não vai participar de determinados campeonatos de judô, de tentar ou não sua faixa preta e de faltar a aula de judô, ou não. Em caso de viagens, ela sempre resolve viajar mesmo, pedindo apenas para eu pagar a conta. Se eu pretendo presentear ela com um cartão de credito, como já considerei? Jamais e em hipótese alguma!! Comprar um carro em nome dela? Já passou na minha cabeça e estou pagando um consorcio, mas a ideia, hoje, está fora da realidade.
 
Ela raramente dá beijo para a sua mãe e nem para o seu pai, reservando este sinal de amor para as suas irmãs, abraçando-as com intensidade, por se tratar da sua família real e quando resolve dar para nós, ela prefere apresentar e esticar a sua bochecha, para então ser beijada. Ela trata a mãe como se fosse sua empregada domestica, gritando insistentemente os comandos do lugar onde eventualmente se encontra. O pai dela, eu no caso e enquanto eu durar nesta função, esta mais para motorista ruim do que para amigo. Ela gosta de manter uma certa distancia, principalmente em publico. A minha maior obrigação, entre uma infinidade de outras, é pagar todas as suas contas e despesas, sem comentários, por gentileza, inclusive as consideradas supérfluas. Todos os machucados que ela acaba sofrendo na vida, inclusive durante as aulas de judô, são considerados da minha exclusiva responsabilidade e provam que não estou tomando cuidado suficientemente dela.
 
No passado, ela já havia expressado a sua vontade de ter um cachorrinho de estimação, porque percebeu este detalhe em novelas e filmes com patricinhas estrelas e eu sempre tinha tratado de desconversar sobre este assunto, mas como passei a enxergar neste cachorro, uma alternativa para me reaproximar dela, acabei comprando um. Só no primeiro dia e no segundo também, ela tratou do bichinho com amor. A partir dai passou a tratar ele com nojo e desgosto. Como eu já havia previsto, eu mesmo estou sendo obrigado a sair com ele para a rua, para fazer suas necessidades, todo dia, sábados, domingos e feriados inclusive. Ele representa ainda um custo grande no petshop, em ração e vacinas, mas ela não gosta de fazer economias nesta parte. Conclusão, me arrependi amargamente e tem horas que quero me livrar dele.
 
Pessoas mais próximas de mim me aconselharem a tentar conversar mais com ela. O problema é saber sobre qual assunto poderíamos conversar. Sobre a guerra no Iraque? Ou sobre os elefantes em extinção na África? Porque quando pergunto como foram as provas, escute na mesma hora que isto é um problema dela. Se pergunto sobre o seu dia no colégio, tem nada que me diz respeito. Idem sobre as colegas do colégio. Idem para saber se ela tem amigas. Idem quando gostaria de saber sobre os seus treinamentos do judô. Sobre quanto peso falta perder para chegar na sua categoria, sobre como foi o treinamento. Enfim, não estou achando um assunto sequer sobre o qual posso perguntar alguma coisa, que não vai irritar ela. Quando entramos no carro, de manha, ela põe o seu egoísta no ouvido e quando pergunto alguma coisa, ela põe imediatamente sua mascara de revoltada, querendo dizer: você não está vendo que estou conversando na Internet?? Então o silencio está tomando conta do nosso dia-dia. E se eu nada perguntar, ai é que ela não vai ter nada mesmo para falar.
 
Bem, ela ainda tem alguma coisa boa? Tem sim: ela é pontual e responsável e não fica na cama depois das oito de manha, mas não me lembro de outra coisa, por enquanto. Talvez seja porque não estou fazendo muita força. Ah sim, ela não fala palavrão e eu, extremamente destemperado, já soltei algumas sobre a sua cabeça, principalmente quando ela pede dinheiro e depois não presta contas.
 
Se ela dá "bom dia"? Não, não dá. Tentei ensinar isto durante dez anos, mas acabei desistindo.
 
Se ela mente? Com certeza e sem ficar vermelha. Alias, neste aspecto, ninguém nunca tinha me chamado de mentiroso, nem mesmo ninguém da minha própria família, amigos e colegas do trabalho, clientes e fornecedores, durante os meus sessenta e poucos anos de vida. Imagine a lapada que foi na minha cara quando ela, adotada com TODO O AMOR e mal me conhecendo, repetiu diversas vezes que eu sou mentiroso, sim. Felizmente, foi por telefone, porque se estivesse falada pessoalmente, eu teria dado uma lapada real na cara dela. Demorei bastante para voltar para casa, naquele dia, tomando uma cervejinha e mais outra, para tentar abaixar o meu fogo, mas está dificil passar a borracha e que doeu, doeu muito, ate o fundo da minha alma. Não sei se vou conseguir me dominar, se ela resolver repetir a dose. O mais provável é que dou uma coça, valendo pelos dois desaforos e mais outro para ela perceber que não se brinca com velho honrado.
 
No entanto, para tentar conquistar o amor dela, patrocinei:
 
- a manutenção financeira para sua irmã mais velha, tanto aqui localmente, quanto no interior do Estado de São Paulo, quando ela morava lá, apesar dela sempre ter significada um entrave em nossa relação, proibindo a sua irma mais nova de me chamar de pai;
- estimulando e efetivamente promovendo o encontra quase semanal das três irmãs aqui em Recife, do que me arrependo hoje;
- pagando todos os presentes que ela desejava dar para suas irmãs e agregados, sem contestar o valor, motivo e a frequência;
- pagando quatro vezes (ou foram cinco?) a passagem para a viagem da irmã mais velha para São Paulo para manter intacto o laço sanguíneo com o irmão mais novo, adotado por lá, sendo que na ultima vez, paguei a viagem das três irmãs juntas, para visita-ló;
- pagando a metade do valor do colégio da sua irmã mais nova;
- pagando também metade do valor dos livros e materiais escolares dela.....
 
e vai somando, tudo com o único objetivo de tentar conquistar o amor dela.
 
É claro que a levo para o colégio, enquanto ela fornece sinais para não chegar muito perto, para as colegas não enxergaram a minha cara e minha cor, que nada tem da dela, mas também não longe demais para que as colegas pensarem que sou o motorista dela. Também a apanho muitas vezes no Judô e em outros eventos.
 
Enfim, neste momento encontro-me completamente esgotado. Sou conhecido por ter um pavio curto, creio eu, por ter apanhado diariamente do meu pai (??), por qualquer banalidade e muitas vezes sem motivo algum. Só não consigo entender como estou conseguindo segurar tanto, diariamente, as minhas mãos valentes. Falando em valente, ela no tatame, esta sendo atualmente um doce, nunca mais ganhando a medalha de ouro, mas em compensação, la em casa tem sido de uma valentia das mais brabas no seu trato com a gente.
 
Depois que ela conheceu Solange, a mãe adotiva do seu irmãozinho mais novo, os elogios foram muitos. Ela a considera uma mãe potencialmente muito melhor do que a Ligia. E pai' s melhores do que eu tem aos montes, quase que em cada esquina. Ela deve achar que não tem dado sorte com os pais adotivos dela.
 
Varias vezes eu me pergunto se ela ficaria assim de qualquer maneira ou se foi eu que a transformei assim, de uma criança boa que ela era, nesta caricatura mal resolvida. Eu fui a causa disso tudo ou ela já nasceu assim e descobri com atraso? A psicóloga me lembrou duas coisas: a sua mãe biológica, aparentemente, não era boa de cabeça, porque foi internada num instituto psiquiátrico. E ela também diagnosticou uma personalidade BI-POLAR, nela. Então tá, está tudo explicado.
 
Quando a adotei, eu tinha por mim que esta decisão teria sido a melhor decisão que já tinha tomada na minha vida, tanto assim que nunca antes na minha vida, eu amei tanto uma pessoa. Em qualquer situação. Hoje, eu tenho certeza que NÃO FOI a melhor decisão.
 
Se ela não passar do ano, penso em fazer uma proposta para Solange cuidar dela por um ano apenas, lembrando que a Maria foi para lá como uma arara, com cabelos nos dentes e que voltou mançinha.

19:12 Gepost door Rudoris | Commentaren (0) |  Print

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