03-12-12

Salvador F. Da S.

Este cara representa perfeitamente e com todas as letras, a expressão “valse geniepigaard”, usada na língua holandesa para tipificar alguém que cava sem cessar por baixo, na penumbra, atrás das cortinas e silenciosamente, mas também explicitamente se achar conveniente, para tentar derrubar as pessoas que ele considera obstáculos em sua rota para poder enriquecer mais rapidamente, mesmo que ilicitamente, às custos dos outros, nem que sejam colegas do trabalho (a palavra "canalha" talvez seja a que mais se aproxima desta descrição em Português). Está sempre atento em levar vantagem em tudo e não hesita em usar os seus cotovelos afiados para empurrar para traz os que cruzem o seu caminho inadvertidamente, pisando nas suas cabeças se preciso-for, sempre tentando avançar mais um degrau na escalada da sua vida medíocre e repugnante que curte, convicto que só este caminho lhe serve para aparecer diante dos seus “conhecidos”, porque é impossivel imagnar que consiga conquistar um amigo verdadeiro sequer. Contudo, apesar da pouca instrução que tem (a de um contador), ele é muito esperto. Principalmente em se tratando da “C-2”.

 

Isto ele é.

 

Foi assim que ele colou, que nem chiclete grude, em um dos diretores da T. Janér, o Sr. Erik Svedelius, do qual, depois de certas coincidências e confidencias, virou secretario particular. O Sr. Erik era Sueco, viúvo sem filhos, ex-Consul Geral da Suecia em Sao Paulo e capitalista de profissão.

 

Sabedor do fato de que ele não deixaria herdeiros naturais descendentes, o Sr. Salvador, como ele gosta de ser chamado, originalmente oriundo do nordeste do país, não só não largou do pé dele como lhe atentou tanto até conseguir extrair a promessa de que seria mencionado em seu testamento na condição de herdeiro da sua fortuna, calculada em diversos milhões de reais e de dólares também, já que possuía contas no exterior.

 

O Sr. Erik chegou quase aos cem anos, mas apesar disso, precisou contar cada vez mais com o sempre bem disposto serviçal, que assim, no dia-dia, passou a participar de todas as informações confidenciais que necessitava para movimentar as suas contas e administrar os seus bens, em seu nome.

 

Não tenhamos duvidas que o Sr. Salvador, ciente de todos os segredos mais intimas e não muito católicos, soube usar esta sua “sabedoria” com a finalidade de arrancar do Sr. Erik a sua concordância em ceder-lhe pelo menos uma boa parte da sua herança..

 

Antes de isso, porém, o Sr. Salvador conseguiu ser promovido, inicialmente à Gerente da filial de São Paulo da T. Janér (por interveniência do Sr. Erik, é obvio), para depois num lance espetacular, a Diretor da T. Janér, sem investir nenhum tostão próprio, mas oferecendo o sossego e o bem estar de dezenas dos seus colegas. Deste ultima lance, posso falar de cadeira porque participei efetivamente na condição de vitima, usado que fui como moeda para a compra deste seu prêmio, não contestado por nenhum dos demais diretores, todos igualmente presos aos segredos inconfessaveis, comum a todos, e explorados por ele.

 

O Sr. Salvador, bem provavelmente participando de uma roda de outros contadores de firmas estabelecidas na região de São Paulo (porque ele mesmo, evidentemente, não possuia a inteligência suficiente para tanto), ficou sabendo como seria possível transformar todos os seus colegas funcionários mais importantes da T. Janér, como técnicos, engenheiros, representantes e vendedores, em mão de obra simplesmente terceirizada. O truque consistia em chamá-los coletivamente, explicando que todos estavam, a partir daquele momento, demitidos, estando a firma T. Janér pronta e apta para lhes garantir todos os seus direitos sociais e trabalhistas, se assim eles preferiam, porque havia uma outra alternativa, bem mais interessante para todos, a qual seria de continuar trabalhando para a firma, mas agora sob a forma de “terceirizado” (porém com a obrigação de, para tanto, abrir pequenas empresas, reduzindo o perigo de posteriores discussões na Justiça), passando a ganhar não só o mesmo “salário” como podendo contar com um aumento real de 20% sobre este salário atual (sem acrescentar, no entanto, que este seria o último aumento concedido), mas perdendo, por outro lado, todo o resto, como o direito a FGTS, Férias, 13º e demais vantagens trabalhistas, adquiridas, por todos eles, ao longo de muitos anos de trabalho honesto.

 

O perigo maior, por parte da firma, evidentemente, era ninguém aceitar esta nova condição e preferir ser demitido. Se todos tivessam agido assim, este plano diabolico teria ido água abaixo, porque a firma precisava que todos continuassem trabalhando para poder permanecer atuando no mercado, mas apenas alguns poucos resolveram a questão desta forma. Os outros, como eu, ficarem acovardados e estamos pagando por este erro até hoje. A T. Janér, mesmo assim, acabou afundando por excesso de chefes e falta de índios, ficando o Sr. Salvador como único vencedor, que ate hoje está rindo de orelha a orelha, feliz e alegre que ele se encontre com todas as suas maracutaias brabas, mas com os sacos cheios do dinheiro.

 

Por uma fatalidade, a T. Janér ocupava, principalmente na filial de São Paulo imóveis alugados, que pertenciam ao Sr. Erik. Quando este faleceu, a T. Janér, então de repente, ficou sabendo que dali para frente os aluguéis teriam de ser pagos ao Sr. Salvador que como num passo de mágico, apareceu cobrando, aproveitando a ocasião para exigir um reajuste espectacular para ele, que ninguem trabalha de graça. Este reajuste ficou aquém das possibilidades da firma pagar e com um pé na bunda, foi obrigada a sair de fininho das instalações que ocupou por mais de meio século. O Sr. Salvador nem se preocupou, na sequencia, em perder a sua vaga de Diretor da T. Janér.

 

Eu me lembro pessoalmente e particularmente as atitudes falsos dele, quando ele de repente apareceu aqui em Recife, a primeira vez, a titulo de conhecer a filial e na segunda vez, com a instrução de fechá-la.

 

Na primeira visita, ele foi recebido com gloria e pompa, participando ativamente de um almoço grandioso, tipo banquete, onde ele alegremente comeu e bebeu tudo que lhe foi oferecido e mais um pouco, declarando na sua volta a São Paulo, num relatório detalhado para os demais diretores, que a filial de Recife vivia comendo e bebendo tudo do bem e do melhor e recomendando, inclusive por isso, o seu fechamento definitivo.

 

Na segunda visita, já para então efetivamente fechar a filial, ele escolheu o que interessava a ele para comprar, por preço de banana, como por exemplo, um carro de entregue, tipo VW Combi, que ele havia prometido para um irmão seu, que mora em Recife também, por uma fração do seu valor real, não dando a oportunidade para que os demais colegas concorressem com ele.

 

Um aproveitador esperto e sem escrúpulos, este é o Sr. Salvador.

 

Trata-se, na verdade, de uma alma sebosa..

18:28 Gepost door Rudoris | Commentaren (0) |  Print

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