02-04-14

OCTAVIO FRIAS FILHO - Folha de São Paulo S.A.

As autoridades Brasileiras deveriam se manifestar sobre o que eles realmente sabem a respeito de uma importação ilegal efetuada pela Folha De São Paulo S.A., durante o ano de 1990, de uma rotativa ofsete da marca MAN, modelo Uniman 4/2 S, quando o dólar, no mercado paralelo, custava mais do que o dobro do cambio oficial.

 

Antes de entrar em detalhes, é bom esclarecer que a vida útil de uma impressora rotativa ofsete, própria para a impressão de jornais diários, passa geralmente de trinta anos.

 

O negocio ocorreu no primeiro ano da administração da "Folha Da Manha", pelo então jovem e inexperiente Octavio Frias Filho, quando o jornal passou a considerar a compra de novas impressoras rotativas, não só para substituir as maquinas existentes, já com mais de vinte e cinco anos de uso, como também para atender à então crescente tiragem dos jornais e à demanda de mais paginas coloridas. O referido senhor se dirigiu ao presidente da "Rockwell International" nos EUA, multinacional ao qual pertencia a firma "Goss", maior fabrica mundial, naquela ocasião, de rotativas impressoras destinadas à produção de jornais. Tratava-se de uma subsidiaria considerada pouco expressiva dentro do grupo mãe, uma vez que o seu faturamento anual, da ordem de US$ 1.000.000.000,00 representava menos de que 5% do valor total do faturamento do holding, que concentrava os seus esforços principalmente nas áreas de equipamentos do interesse do governo norte-americano, equipamentos eletrônicos e componentes automotivos, entre outros. O Frias Filho, na sua chegada a matriz da Rockwell nos EUA, se fez anunciar como o proprietário do maior jornal diário da América Latina. O então presidente da Rockwell ainda tentou se desvencilhar dele ao indicar o presidente da Goss, como a pessoa certa a ser procurada, mas o senhor Frias insistiu e sem rodeios jogou na mesa uma proposta ridícula feita nos seguintes termos: a sua maquina custa cerca de US$ 18.000.000,00. A maquina do seu concorrente (vale aqui mencionar que ele não conhecia nenhuma das duas e muito menos tinha condições técnicas de compará-las) algo em torno de US$ 12.000.000,00. Eu quero um desconto substancial para comprar a sua impressora “aqui e agora”. O presidente da Rockwell, percebendo a ausência de condições sérias, respondeu já se levantando da poltrona e sem titubear e nem interessado em procurar submeter o assunto ao pessoal da Goss: "Prazer em conhecer. Passar bem"; apertou-lhe a mão e conduziu-lhe para fora da sala.

 

O Frias Filho, contrariado com o atendimento recebido, se dirigiu logo em seguida ao presidente da MAN, na Alemanha. Fez ali também a sua proposta de preço final e impus uma condição adicional: faturar duas maquinas e embarcar, de fato, só uma, devolvendo lá fora, o dinheiro enviado oficialmente em excesso. O negocio, inexplicavelmente, foi aceito.

 

O jovem Frias Filho, depois de consumida a transação, conforme combinado, recebeu os dólares "sobrando" de volta no exterior e os vendeu pelo cambio paralelo. Como o dólar paralelo valia mais do que duas vezes o valor do dólar oficial, que ele “utilizou” criminosamente para supostamente comprar duas maquinas, ele, na realidade, recebeu a única maquina que ele realmente pretendia comprar absolutamente de graça, sem nem precisar pagar os impostos, dos quais maquinas para a impressão de jornais, estão isentos. Felizmente.

 

Os fiscais da alfândega no porto de Santos, aparentemente não sabiam distinguir, como de fato talvez não sabem até hoje, uma maquina de duas (mesmo porque o equipamento é distribuído em varias dezenas de caixas e caixotes).

 

Ciente do perigo da descoberta da “maracutaia” propriamente dita, de um lado e do outro lado, surpreendentemente informado pelo seu pessoal industrial que a maquina UNIMAN 4/2S, que ele havia adquirida na Alemanha não era apropriada para a impressão dos seus jornais, ele resolveu deixá-la, durante diversos anos, embalada, em uma propriedade sua. Quando finalmente resolveu instalá-la, ficou comprovado de fato, pelos resultados na pratica, causando atrasos enormes na distribuição dos jornais, muitas vezes sem cores e com um numero de paginas bem reduzido, que não havia mais sentido em continuar tentando imprimir os seus jornais com ela, obrigando-o a adquirir outras rotativas, novamente, mas desta vez mais adequadas às suas necessidades industriais e que também eram da MAN, da qual ficou refém. Uma parte desta rotativa inadequada foi posteriormente vendida ao jornal "O Liberal", de Belém, que igualmente usou-a por pouco tempo e o restante para um outro jornal latino-americano.

 

Só não se sabe se os governos de então (estadual e federal) souberam realmente desta importação fraudulenta, ou se se aproveitarem dela para conseguir "domar" a fera, durante muitos anos.

01:55 Gepost door Rudoris | Commentaren (0) |  Print

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