31-01-15

T. Janér - Algumas Informações Interessantes..

A T. Janér (como praticamente todas as empresas importadoras e representantes de firmas estrangeiras no Brasil, no ramo gráfico), mas antes mais do que agora, costumava desviar pelo menos a metade das comissões merecidas pelas suas intermediações na venda de maquinas e equipamentos importados para seus clientes brasileiros, para contas particulares, mantidas no exterior para esta finalidade. O fato de diplomatas participarem da direção da T. Janér facilitava ainda mais esta prática.

 

O procedimento era simples: para cada comissão ganha, as fabricas ou as firmas exportadoras no exterior eram solicitadas a depositar a metade desta comissão nesta conta na Suíça (por exemplo), enquanto que a outra metade era posteriormente, legalmente transferida para o Brasil onde era convertida para a moeda local então vigente, pelo valor do cambio oficial.

 

Os documentos importantes nestas transações internacionais são o "Contrato de Representação", assinado entre o representante no Brasil e a respectiva contratada, localizada no exterior. As comissões estabelecidas variavam de acordo com o tamanho e o valor do tipo e/ou modelo da maquina e eram, por exemplo, como no caso da MGD Graphic Systems que posteriormente foi incorporada a multinacional Rockwell International, quando passou a ser denominada Rockwell Graphic Systems, de 20% para as rotativas offset da marca Goss, modelo Community, SC e SSC; de 10% para as maquinas tipo Urbanite e de 7,5% para as rotativas de largura dupla, tipo Metro, Metroliner, Headliner Offset e Newsliner.

 

Para reduzir as conseqüências fiscais em caso de descoberta, neste contrato de representação constava que metade destes percentuais era destinada à propaganda e anúncios destas fabricas no Brasil o que, de fato, nunca aconteceu, mesmo porque não tem sentido o representante pagar pela propaganda da representada, muito pelo contrario, mas representava assim o motivo do envio de apenas a metade da comissão para o Brasil, caso algum dia este esquema fosse descoberto. Na realidade, o representante era responsável por sua própria propaganda, alias também pouco explorada, já que as rotativas fabricadas pela Goss dominavam amplamente o mercado chegando, durante certas ocasiões, a atingir noventa por cento das vendas em todo o território.

 

Por outro lado, na documentação oficial local, como nas Licenças (ou Guias) de Importação, emitidas pelo Banco Do Brasil, a firma intermediária declarava também ter direito a uma comissão representando apenas a metade do percentual combinado, reduzindo assim as comissões oficialmente a serem recebidas, para respectivamente 10%, 7,50% e 3,75 %.

 

Simples mas eficiente o suficiente para desviar a metade das comissões merecidas, algumas delas individualmente superior a US$ 1.000.000,00 para um determinado tipo de impressora, para fora do país durante diversas décadas. É interessante anotar ainda, neste aspecto, que a meta da firma, somente no caso de importação direta de peças de reposição, era ganhar acima de US$ 500.000,00 em comissões, por ano.

 

Não é difícil calcular quanto dinheiro foi desviado assim, mas certamente, ao longo de quarenta anos, este valor ultrapassou US$ 50.000.000,00.

 

Isto e o fato de muitas vendas terem exigido o pagamento de comissões polpudas para pessoas físicas, intermediárias nas transações maiores, chegou a chamar a atenção da CIA dos EUA, que enviou para o Brasil dois delegados especializados, procurando diretamente a direção da T. Janér, com a mensagem que a CIA estava disposto a esquecer o que aconteceu no passado, mas exigindo em troca um compromisso firme da nossa firma, como igualmente da nossa representada nos EUA, de que o pagamento de comissões durante futuras negociações, não seriam mais efetuadas a integrantes do governo americano, em nome da Goss, então ainda incorporado à multinacional Rockwell International, que era um grande fornecedor de equipamentos de alta tecnologia para o Governo Americano e que ficou por isso sujeito a investigações minuciosas, principalmente depois que se descobriu que a Lockheed pagou comissões milionárias a funcionários públicos e privados para facilitar a venda dos seus aviões militares, como o bombardeiro invisível B2, além de outras..

 

Entre outros diretores de então atuavam principalmente os Srs. SFS e OG. 

 

Como era fácil enganar os governos, inclusive os militares, de então.

 

18:05 Gepost door Rudoris | Commentaren (0) |  Print

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