21-03-11

T. Janér - As máquinas de raio “X” nos aeroportos brasileiros são perigosas

Retornando ao Rio De Janeiro, saindo de São Paulo, depois de ter sido convocado para uma reunião lá, fui convidado a dividir um taxi com o filho de um dos diretores da empresa, Octavio Gabizo, para a gente ir para o aeroporto, embora tivessemos reservas em aeronaves e horários diferentes. Eu viajo de preferência sozinho, porque assim posso aproveitar o ambiente relaxado e relativamente anônimo dentro dos aeroportos, para tomar uma cervejinha geladinha e refrescante, antes do embarque. 

Nós despedimos ainda no balcão da companhia aérea e eu já havia passado do controle aduaneiro, me dirigindo a uma lanchonete na área de embarque, quando ouvi pronunciar o meu nome pelos alto-falantes do aeroporto. Solicitarem-me voltar ao guichê da companhia aérea, do lado de fora da sala e chegando lá, constatei que o Gabizo me chamava para um cantinho mais reservado. O problema é o seguinte, balbuciou ele nervoso: “o Sr. Salvador (F. Silva - então Gerente da Filial de São Paulo, que depois virou Diretor da T. Janér, utilizando seus colegas de trabalho como alavanca para subir na vida e mais tarde ainda, o Dono das nossas instalações lá, num golpe espetacular, típico de Mestre de Esperteza) me pediu para eu levar quarenta mil reais em cédulas na minha maleta, para o Rio De Janeiro, más a grana foi descoberto pelo aparelho de raios-X durante a verificação da minha bagagem de mão no setor de alfândega. O fiscal me avisou que é proibido viajar com mais de dez mil reais em dinheiro vivo e se eu tentasse de novo, seria imediatamente preso”. 

Ele me conduziu até um dos banheiros do aeroporto onde pretendia me entregar os trinta mil reais levados em excesso. A desculpa era de que eu não tinha cara de suspeito. E lá fomos nós, para o umectório, onde se encontrava uma grande quantidade de homens de negócios, todos preocupados em se aliviar no mijador antes de entrar no avião. Procurei me comportar com naturalidade, mesmo percebendo os sorrisos marotos (para não dizer, olhares de desaprovação e murmúrios suspeitos) de muitos deles ao notar que pretendíamos entrar juntos num único box. Passei a torcer loucamente para que ninguém me reconhecesse ali, porque algumas atitudes, realmente, são praticamente impossíveis de se explicar. Tudo isto era contra a minha vontade e eu ainda corria o risco de ser rotulado de criminoso, quem sabe? 

Uma vez espremido dentro do box, com uma cabeça vermelha e inchada, eu quase não conseguia fechar a porta atrás de mim, de tão pequeno o espaço era, definitivamente não apropriado para acomodar dois homens maduros. Eu me encontrava, com a barriga puxada para dentro e o traseiro empurrado para trás, atrás dele enquanto ele, debruçado sobre o assento do vaso, abria a sua maleta maldita e onde lá apareciam, de fato, oito pacotes suspeitos, de pelo menos seis centímetros de espessura, contendo cinco mil reais cada um, unidos por borrachinhas personalizados. Ele escolheu dois pacotes para si próprio e os colocou nos bolsos da sua calça, fechando a mala em seguida e me entregando o restante. Sem me explicar de onde veio o dinheiro, para que serviria e para onde levaria, me informou que caso fosse eventualmente preso me indicaria, sem demora, um advogado para minha defesa. Desejou-me boa viagem e lá ele se foi, todo alegre e descarregado de qualquer indicio de culpabilidade.

 

Fiquei um tanto confuso e nervoso com as minhas mãos e parte dos meus braços recheado de pacotes suspeitos e tratei de enfiar-los nos meus bolsos para dividir o volume. Um pacote em cada um dos dois bolsos laterais da calça, um pacote no bolso da camisa, um pacote em meu bolso trazeiro da minha calça e um pacote em cada bolso do meu paletó. Eu, em compensação, não consegui aproveitar a oportunidade para também tirar a água apertada do meu joelho. Saí do boxe constrangido e com o rosto virado para baixo. Resolvi voltar para a área de embarque, mas não antes de checar se os seis pacotes eram claramente apalpáveis nos meus bolsos. Parei surpreso quando só encontrei cinco saliências. Desesperado, desconfiei que talvez tivesse deixado cair um pacote no chão do banheiro devido à pressa e ao nervosismo a que fui submetido. Voltei para o banheiro e entrei sem bater no box que havia ocupado antes. Um homem estava de pé, tentando acertar o interior do vaso com o seu raio de mijo, enquanto surpreso se virou para trás perguntando o que estava acontecendo. Murmurei que havia esquecido um pacote, sem explicar que tipo de pacote e me ajoelhei aos seus pés tentando descobrir onde havia caída. Estava literalmente varrendo o chão com meu olhar, não só dentro do nosso próprio box, como também nos dois boxes adjacentes, imaginando que talvez tivesse sido empurrado para dentro de lá inconscientemente.

 

Isto tudo evidentemente causou um waowé estranho dentro do estabelecimento de rejeição de dejetos indesejáveis. Cheguei a virar a minha vista para cima, para poder enxergar, não o saco, mas as bolsas da calça do sujeito que abruptamente havia deixado de urinar e estava ansiosamente guardando a sua ferramenta, depois de tê-la sacudida com força, com a finalidade de tentar encontrar protuberâncias estranhas, mas nada encontrei,... nada...

 

Não consegui pensar em algo mais do que simplesmente pedir desculpas. 

 

Resolvi me afastar de novo, desta vez porque os alto-falantes estavam dando o ultimo aviso de embarque para o avião no qual havia um lugar reservado para mim, lembrando que ainda tinha de passar pelo setor de alfândega. Era melhor viajar assim mesmo, faltando um pacote de dinheiro que não era meu, do que perder a viagem, julgava eu. 

No avião, eu pensaria em alguma coisa nova, eu considerei. Voltei para a área de checagem da bagagem, mas tinha certeza que parecia suspeito. Continuei olhando para baixo achando que assim o medo em meus olhos não poderia ser descoberto e o que temia aconteceu: o fiscal que vigiava atentamente as pessoas na fila apontou o seu dedo indicador para mim, provavelmente para poder efetuar uma checagem mais detalhada dos meus pertencentes, mas então, de repente, atrás de mim surgiu um tumulto provocado por uma pessoa que estava tentando furar a fila e o fiscal imediatamente se dirigiu para lá para acalmar os ânimos e restaurar a ordem. Fui salvo pelo gongo. 

 

Uma vez dentro do avião, decidi mais uma vez dedilhar concentradamente as saliências e novamente só consegui localizar cinco. Cinco e não mais de que cinco. A solução consistia em tirar todo o dinheiro dos meus bolsos e depositá-los no meu colo, em baixo de um jornal, para não chamar a atenção dos meus vizinhos, que mesmo assim me encararem com estranheza. Quando tirei o último pacote de dinheiro, com alguma dificuldade, de um dos bolsos percebi, de repente, porque estava sendo tão difícil: eu havia enfiado dois pacotes de dinheiro juntos num único bolso do meu paletó, deixando o outro vazio. 

Ahhh, seu Rudinho estúpido, por que é que você aceita sempre ser usado pelos seus amigos colegas de trabalho, eh..??

00:55 Gepost door Rudoris | Commentaren (0) |  Print

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