04-04-11

Cia. T. Janér Com. e Ind./T. Janér Comercio e Importação de Papeis Ltda

Como puderam observar nas minhas últimas mensagens, contrariado, mas resolvido, passei a relatar neste blog algumas anedotas diferentes e às vezes até engraçadas, na língua portuguesa inicialmente, mostrando a minha visão sobre a história da empresa T. Janér, vivida durante um período de trinta e sete anos de trabalho continuo, durante os quais efetivamente prestei serviços valiosos, tanto como funcionário, quanto posteriormente, na condição de autônomo (por iniciativa mesquinha e profundamente deplorável de um dos meus ex-colegas de São Paulo - Salvador F. Silva, o verdadeiro lobo vestido de carneiro), vestindo bravamente a camisa da empresa, sem nunca ter medido esforços extras e nem sequer poupado qualquer sacrifício, muitas vezes em prejuízo dos meus próprios interesses, quanto os da minha família quando, no fim, fui simplesmente desconsiderado e posto ao lado como se um objeto fosse.

Não me furtarei, nas minhas próximas mensagens, a esconder qualquer outra informação útil para clarear o ambiente de trabalho e de remuneração na qual vivi e não deixarei de relatar nenhum fato, procedimento e/ou pratica aplicada, mesmo que isto possa aranhar a reputação da firma, ou do que da firma está sobrando neste momento e de alguns dos seus principais dirigentes, dentro os quais destaco o mais inescrupuloso de todos, o já acima mencionado e depois a diretor promovido Salvador F. Silva, atualmente novo dono de todos os imóveis que antes eram ocupados pela firma, na filial de São Paulo.

 

Antes de entrar em detalhes, porém, gostaria de tocar algumas palavras sobre o ramo de atuação da firma.

 

Como consta no site da própria T. Janér, entrar no mercado é fácil, difícil é manter-se nele. É o que de fato estamos vivenciando atualmente. Desde a sua fundação em 1926, a empresa vinha atuando em atividades tão diversas quanto papéis comerciais, aços finos suecos, máquinas de trabalhar metais e madeiras, máquinas para lavanderias, instrumentos cirúrgicos, raio-X, motores marítimos e estacionários, aviões, navios, perfuração de poços para captação de água e máquinas para fabricação de papel. Nem mesmo mísseis e aviões militares supersônicos, de fabricação Sueca, deixamos de oferecer e vender às Forças Armadas Brasileiras. Quem não sabe da próxima decisão importante a ser tomada pelo Governo Brasileiro em relação à compra de 36 exemplares desta nova geração de aviões militares.

 

O fundador da empresa, o Sr. Tor Janér (daí a abreviação bem popular "T. Janér"), sueco de nascimento e então Cônsul da Suécia no Rio De Janeiro, era encarregado de promover agressivamente o comércio entre os dois países e nesta condição enxergava tantas possibilidades e alternativas passiveis de sucesso que resolveu investir pessoalmente e pesadamente nesta área. Junto com o seu amigo Sr. Erik Svedelius e também diplomata, sem filhos, recentemente falecido (deixando todo o seu patrimônio construído ao longo da sua vida, aqui no Brasil e também na Suíça, estranhamento nas mãos deste super-esperto brasileiro Salvador F. Silva, originalmente imigrante do nordeste, sobre o qual rondem muitas noticias, que oportunamente serão abordadas) ele construiu, em poucos anos, como um verdadeiro empreendedor, um império impressionante, criando não só a Matriz no Rio De Janeiro e um filial maior ainda do que a sede, em São Paulo, como uma dezena de filiais nas capitais dos principais Estados Brasileiros.

 

A firma, até os anos setenta, chegou a empregar quase três mil funcionários, muitos deles trabalhando nas filiais que atuavam praticamente como empresas autônomas, possuindo seus próprios departamentos de contabilidade, pessoal e financeiro. A comunicação entre a matriz e as filiais era basicamente restrita ao uso de aparelhos de telex, já que o telefone ainda funcionava precariamente e era cara e instável. Interessante é que a firma nada fabricava se concentrando (com exceção do setor de perfuração de poços) na comercialização apenas dos equipamentos, maquinas, produtos e material de consumo, importados.

 

Talvez esta autonomia exagerada fosse um dos fatores responsáveis pela lenta desconstrução da firma que, apos a morte do fundador, passou a ser administrado pelo filho, Lars Janér, muito mais administrador do que empreendedor e que foi ajeitando aqui e cortando ali. Já o filho deste, novamente Tor Janér, com formação em economia, resolveu continuar na mesma linha do pai, aplicando o dinheiro já ganho mais do que qualquer outra coisa, inclusive tentar criar novos oportunidades de negócios.

 

Passou-se a divulgar que "small is beautiful" e os diretores, d' ali em diante, todos brasileiros natos, apesar de todo mundo achar que se tratava de uma firma estrangeira, já não eram mais tão “católicos, apostólicos e romanos” nas suas ações e procedimentos, como basicamente pregavam e uma boa parte dos lucros, proveniente de comissões vultosas, acabava sendo sistematicamente depositados diretamente em contas de bancos no exterior. Sobre este aspecto segue uma post especial, mas desde já fica claro que a situação atual da empresa se deve principalmente a estes desvios constantes e indevidos dos lucros apurados, no passado.

 

Com o passar do tempo, a T. Janér passou a dedicar-se cada vez mais ao ramo gráfico. Destacava-se por fornecer tudo que é necessário para o funcionamento da indústria gráfica em geral, com ênfase nos jornais de grande e de médio porte, como papel editorial nacional e importado, impressoras offset de grande capacidade e demais equipamentos e insumos gráficos. Além de ser representante exclusiva das melhores marcas nacionais e internacionais, especializava-se também em serviços de consultoria, treinamento, assistência técnica especializada e reforma e reconstrução de máquinas.

 

Agora, em 2011, a Janér está em sua quarta geração, comemorando timidamente os seus 85 anos de fundação com uma mini-equipe, dividida em duas micro-partes que não se entendam bem, mas protegida dos seus credores por uma ação proteladora junto à Justiça Brasileira, deixando algumas dezenas de ex-funcionários fieis, a ver navios.

01:57 Gepost door Rudoris | Commentaren (0) |  Print

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